Nos últimos dias, foi bem divertido acompanhar as reações à campanha teaser dos tiozões, que, como todo mundo já deve saber, não foi desenvolvida para o famoso remedinho azul nem para um novo serviço de música.
De repente, apareceram dezenas de especialistas em marketing viral, marketing de guerrilha, ARG, buzz marketing, WOM, invisible marketing - e coisas que ainda vão receber a devida nomenclatura, basta alguém descobrir para que servem - com pontos de vista ora complementares, ora contraditórios, além de um punhado de idéias sobre a web e como utilizá-la que soaram um tanto definitivas quando aplicadas a um meio cuja constante é mudar rápido.
Outra frente interessante de analisar foi a dos blogueiros, uns mais veementes na crítica, outros achando a campanha interessante, alguns tentando desvendar o mistério para dar o "furo de reportagem", e todos mantendo a discussão mais animada do que se estivéssemos tentando decidir qual é a receita certa de dry martini.
Houve também a liga dos defensores incondicionais (e ligeiramente exasperados) da ética, respondendo com palavras de ordem a uma estratégia que englobou certa dose de risco e uma boa dose de humor, que juntou rádio, impresso e web para posicionar um produto, potencializar o impacto do lançamento e tirá-lo do lugar-comum de tantas outras campanhas do segmento.
Isso sem esquecer a categoria dos anônimos, escondendo a falta de argumentos por trás de pseudônimos e meia dúzia de impropérios.
Tudo muito natural e compreensível quando se encara a web como uma plataforma livre, de mão dupla, com espaço para quem quer que seja se manifestar da forma que bem entender sobre os aspectos da campanha. Ainda sobre a ação, em 10 dias, nenhum post foi apagado, nenhum comentário malicioso foi retrucado, não houve censura de qualquer espécie. Afinal, patrulhamento na web não tem cabimento, não é? Não defendemos com unhas e dentes a liberdade que a Internet proporciona a ponto de rechaçar qualquer tentativa de controle ou cerceamento? Não ameaçamos com boicote quem tenta nos privar do direito de assisitir aos vídeos que bem entendermos? Não criamos milhões de blogs para promover o debate livre de idéias? Não valorizamos a inteligência de cada internauta a ponto de criarmos uma "enciclopédia total" e colaborativa?
E depois de tanta especulação, fica a pergunta: você sabe que produto os tiozões estão anunciando?
Viu só como funcionou?
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